Artigos publicados em: agosto 2008


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Méla Suvaco
31/08/08 - Arquivado em: resenhas

Finalmente minha primeira resenha. O Silveira, colega de trabalho, estava muito empolgado com a eficácia de seu novo desodorante e comprou um exemplar para eu experimentar e escrever minhas impressões sobre o produto.

garnier_BiO.jpg

Para começar, o nome: Garnier Bi-O. Quem foi o gênio que teve a sacada de batizar o desodorante com a mesma pronúncia de B.O. (cecê / futum / budum / suvaqueira em inglês)? Um contra-senso igual a lançar um absorvente feminino chamado “Chico” ou uma pasta de dente chamada “Bafo”.

Segunda crítica, a embalagem. O negócio tá mais para butt plug do que para desodorante. Não tem a menor pegada masculina. No lugar dos punhos, o que precisa ser movimentado para aplicar o desodorante é a ponta dos dedos. Bem delicado.
Outra coisa: embalagem roll-on para homens? Quem acha que isso pode dar certo? Não falo pelo preconceito de ficar esfregando algo roliço em uma parte delicada do meu corpo, mas pela praticidade mesmo. Meus suvacos são a terceira parte mais peluda de minha anatomia. Basta uma aplicação para um fiapo se prender ali e ganhar vida própria.

Se ainda tivéssemos problemas com a camada de ozônio e o CFC, até toleraria o roll-on. Mas o spray conseguiu evoluir e ficar ecologicamente correto. Não vejo nenhuma razão para deixar o spray de lado em prol de uma forma de aplicação nada prática e anti-higiênica. Ou você pegaria emprestado o Bi-O de um amigo caso tivesse esquecido de levar desodorante para uma viagem?

A Garnier promete 48 horas de proteção graças ao poder da “acti-cuteíne”, uma substância de mentirinha que foi inventada não em seus laboratórios, mas no seu departamento de marketing. É óbvio que um cientista de boa reputação não dedicou 2 dias de sua carreira para descobrir se isso funciona. E duvido que tenham testado em humanos dos mais diversos grupos étnicos e com diferenciadas características genéticas, com 2 grupos de controle e tudo mais que uma boa pesquisa de eficácia exige.

A jogada de marketing é que em nenhum momento eles alegam que você ficará sem feder 48h. Eles dizem “proteção 48h”. Se você resolver processar a Garnier porque a propaganda enganosa fez você se dar mal em uma entrevista de emprego, certamente um advogado vai alegar que “proteção” é um conceito amplo e todo aquele blábláblá...

Mesmo com toda esta impressão negativa antes mesmo de aplicar o produto, resolvi seguir em frente. Afinal, tenho que fazer uma resenha completa e manter o meu profissionalismo.

Depois de passar o desodorante, me senti melado por uns 20 minutos, até a parada secar. E, quando secou, ainda fiquei com uma sensação de que “havia algo no meu suvaco”. O cheiro não é ruim e ele segurou a onda por 26 horas com uma certa atividade física. Não fiquei 48 horas testando porque outras partes do meu corpo começaram a cheirar e fui obrigado a tomar banho. Talvez quando inventarem um “Vagisil masculino” com o tal do “acti-cuteíne” eu tope o desafio. Até lá, vamos dizer que o Bi-O se mantém eficaz por um período mais do que necessário para alguém acostumado a tomar um banho por dia.

Eu recomendo? Bom, se você não tiver pêlos no suvaco, gostar da sensação de coisas meladas em sua pele, precisar de uma embalagem compacta que não ocupe lugar em sua “necessaire”, vai fundo. Você ficará bem protegido nas suas raves de final de semana (sim, porque a situação mais plausível que eu imagino alguém ficar 48h sem banho é em uma rave).

Nota final: 3 em 10 Trés de Marchand possíveis.
Destino final do produto: Vou devolver para o Silveira. Quero ver se ele vai ter nojo de usar algo que já passei no meu suvaco.

Ps. Essa resenha foi patrocinada por um amigo que me entregou o produto em mãos. Ainda estou com dificuldades de encontrar uma caixa postal para receber os produtos, aguardem mais alguns dias para eu descolar uma solução que seja mais prática para ambas as partes.

Mr Manson as 23:09

Taí, acho que vou fazer um blog!
19/08/08 - Arquivado em: resenhas

Hoje vi o tal i9 numa geladeira da padaria. Para quem não acompanha o “mundinho blogueiro”, essa é uma bebida nova da Coca-Cola que fez uma ação de divulgação com blogs e gerou uma polêmica envolvendo “blogs de aluguel”, ou blogs que recebem brindes/vantagens/dinheiro para citar alguma campanha ou falar de algum produto. Enfim, a polêmica no caso do i9 foi meio boba, rodou em cima do fato dos caras ganharem uma geladeirinha de brinde. Acabou que falou-se muito de “posts pagos” ou “alugados” e praticamente nada do i9 em si.

Aí eu vi a parada dando mole na na padaria e pensei: taí, vou experimentar e dizer o que achei. Pagando do meu bolso e dando a minha opinião. Acabei fazendo uma resenha em tempo real no meu twitter. Escrevendo o que vinha na minha cabeça enquanto experimentava. E acabou que no final descobri que algumas pessoas devem consultar o médico antes de beber o i9. Bem estranho... Mas beleza. Já falei do i9 o suficiente pra nego desconfiar que levei um por fora.

Daí, voltando pra casa, tive uma idéia (provavelmente motivada pela excelente propriedade estimulante do i9, que ao mesmo tempo turbina sinapses mas também o torna uma bebida que oferece algum tipo de risco para gestantes e idosos): há um potencial humorístico em ficar fazendo resenhas de paradas, ainda mais nesse cenário onde tudo quanto é blogueiro está sendo convidado para bocas-livres e ganhando mimos. Sei que dá para fazer piada com qualquer merda, principalmente com produtos.

Aí concluí: taí, vou fazer um blog de resenhas. Onde vou tentar misturar resenhas com o meu estilo de humor bem peculiar. Nem sei se é uma idéia original (o Ronald Rios acabou de me dizer que pensou nisso semana passada), mas foda-se.

Aí pensei: porra, pra que fazer um blog novo registrando um domínio do tipo “resenhas.com.br”, criando layout, configurando sistema e etc? Eu já tenho um blog! E nem atualizo aquela merda!

É uma guinada na “linha editorial do Cocadaboa”? Não sei, acho que não. Na minha cabeça acho que pode ter uma pegada meio SACaneie. Ou gerar algo diferente. Desde que seja engraçado, seguindo o tipo de humor característico daqui, não tem como não parecer com o que os leitores antigos apreciam.

Então a proposta tá lançada. Vou resenhar produtos enviados para um endereço que divulgarei amanhã, com mais algumas instruções e regras melhor elaboradas.

Vou resenhar tudo que mandarem?
Me esforçarei para falar de tudo. Mas me reservo o direito de ignorar o que não achar que renda algo engraçado ou que dê muito trabalho.
Também não resenho sites / campanhas / ações virais e merdas do tipo. Resenhar filme? Ficar indo em cabine? Não sou desocupado, há grandes chances de eu não ir. Cd da sua banda que ninguém conhece? Grandes chances de eu nem escutar. Rascunho do seu livro? Não.
A idéia aqui é fazer humor com produtos (de preferência novos e que eu ainda não tenha nenhuma experiência de uso). Não adianta me mandar uma lata de Cintra e pedir para eu resenhar. Já tenho uma opinião formada sobre a Cintra. É uma bosta.

Vou falar mal de tudo que resenhar?
A proposta não é essa. Vou tentar fazer algo engraçado, que divirta meus leitores. Isso não significa necessariamente falar mal.

Isso é para entrar no circuito de boca-livres e ganhar presentes?
Acho muito difícil as pessoas que selecionam os blogueiros que ganham presentes me colocarem no circuito. Normalmente enviam estes mimos para pessoas com interesse em manter portas abertas / não se queimar. Mandar algo para ser resenhado por mim no Cocadaboa rende uma exposição bacana, mas também pode deflagrar piadas e comentários que nem todo gerente de produto está preparado para lidar. Tenho uma imagem de inconseqüente e um histórico de nunca ficar em cima do muro para manter “portas abertas”.

Então você não vai ter nada para resenhar, seu animal!
Aí que está a beleza da coisa. Uma empresa pode me enviar algo para ser resenhado, mas eu também posso comprar com meu dinheiro (como fiz com o i9) ou você também pode me enviar o que quiser. Se você é um cara normal e quer que eu resenhe um chocolate, uma caneta, uma bebida ou qualquer outra merda que por alguma razão você estaria curioso com a minha reação, é só mandar. Você não precisa ter qualquer relação com o produto. E o fabricante do produto não pode fazer nada a respeito. Eu tenho toda a liberdade de resenhar algo aqui no meu blog de maneira completamente parcial e enviesada. Desde que eu não calunie ou difame a empresa, que tudo fique claro que é humor e opinião pessoal, ok. Eu posso dizer que acho o C3 um carro de viado e a Citroen não pode fazer nada a respeito.

Você acha que existem trouxas que vão te mandar coisas de presente?
Sinceramente, sim! Eu mesmo já juntei com uma galera pra mandar 5 kg de Sucrilhos pro Ronald Rios. E nem ia me identificar, o Pão de Açúcar Delivery que cometeu o erro de mandar a nota fiscal com meu nome junto do pedido. Só para deixar ele bolado e ver a reação do mané. Tem um tipo de pessoa que enxerga a vida de uma forma excêntrica e surreal. Tem outro tipo que só enxergam o valor das coisas e o que vão ganhar com isso. Meu público-alvo é o primeiro tipo.

Vou te mandar um email antes perguntando se você resenharia a coisa X se eu te mandasse, assim não mando à toa.
Ok, mas prefiro ser surpreendido. Combinar antes sempre tira a espontaneidade. E já aviso: nem tente sondar por email antes a minha impressão, do tipo: “você falaria bem do Campari?”. Se eu não ignorar, provavelmente vou publicar no Cocadaboa te sacaneando.

Preciso me identificar?
Se for uma empresa (ou agir em nome de uma), sim. Se não for, não precisa. Pode ficar anônimo se quiser. Não divulgarei seu nome.

Você só quer ganhar coisas, seu malandro!
Se for um bem durável, pode ser que eu queira ficar com o produto depois de resenhar. Ou que eu decida jogar no lixo. Ou que eu decida dar de presente para alguém. Ou a pessoa que me enviou tem todo o direito de pegar de volta o que mandou (se preocupando com o trabalho/custo do transporte de volta). A decisão sobre o fim do produto sempre será exposta na resenha.

Não tenho nenhuma tradição de moderar comentários. E vocês sabem muito bem disso. Ou seja, se acharem que estou levando vantagem para falar bem de algo e que tudo isso é uma artimanha para eu ganhar coisas, tudo que eu resenhar poderá ser criticado livremente por vocês.

Aliás, além de me xingar e dizer que o Cocadaboa acabou e que esta idéia foi ridícula (culpa do i9), os comentários estão desde já abertos para quem queira dar sugestões para a parada ficar mais engraçada.

Mr Manson as 23:32


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